Necrose avascular da cabeça do fêmur - NACF


O QUE É?

A necrose da cabeça do fêmur é uma doença que compromete a circulação sanguínea da cabeça do fêmur,  região deste osso que se encaixa com a bacia na articulação o quadril, em pacientes adultos. Possui caráter progressivo e cura completa questionável.

O QUE CAUSA?

Suas causas são variadas  e em 25% dos casos não se estabelece a origem específica. Das causas conhecidas, as mais frequentes são: 

  • Pós-traumática (após fraturas do colo do fêmur)

  • Uso crônico de corticóides, medicamentos utilizados para tratamento de algumas doenças, como doenças reumatológicas, alergias, alguns tipos de tumores, após transplantes de órgãos, entre outras.

  • Consumo de álcool, em dose e tempo dependentes;

  • Alguns tipos de anemia, como a anemia falciforme;

  • Doenças do metabolismo dos lipídeos como: colesterol e/ou triglicerídeos muito elevados, pancreatites, doença de Gaucher, ou outras;

  • Fenômenos disbáricos: doença do mergulhador de grandes profundidades.

QUEM PODE SER ACOMETIDO?

Qualquer pessoa, mas existe uma predileção por pacientes do sexo masculino dos 20 aos 60 anos de idade. Não se conhece precisamente a incidência de NACF na população em geral, mas estima-se que, em torno de 10% das cirurgias de prótese de quadril decorram desta doença.

QUAIS OS SINTOMAS?

A DOR é o sintoma predominante e são característicos desta:

  • Irradiar-se para a coxa ou para o joelho.

  • ser provocada pelo movimentos ou por caminhar

  • aliviar com repouso

  • aliviar parcialmente com uso de analgésicos mesmo que potentes.

Alguns pacientes queixam-se somente de DOR NO joelho e isto muitas vezes é uma armadilha para o diagnóstico.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico da ONCF é realizado através de uma suspeita clínica, baseada nas características dos sintomas que acometem o paciente, em informações colhidas pelo médico durante o exame físico do paciente e por exames complementares de imagem.

Os principais exames de imagem para o diagnóstico e planejamento do tratamento são a Radiografia simples e a ressonância magnética. A ressonância Magnética é o exame que permite o diagnóstico mais precoce, em estágios em que muitas vezes a radiografia permanece normal. Ambos exames se complementam e um não deve substituir o outro.

TRATAMENTO

O tratamento da ONCF varia conforme o estágio da doença, tamanho e localização do comprometimento ósseo dentro da cabeça do fêmur e fatores relacionados à demanda física do paciente. Cada paciente exige um tratamento individualizado e planejado especificamente para cada caso.

Didaticamente, dividimos as opções terapêuticas em tratamento conservador (não cirúrgico) e tratamento cirúrgico.  O tratamento conservador inclui medidas basicamente sintomáticas com uso de medicações, fisioterapia, repouso e retirada do apoio com uso de muletas. O tratamento cirúrgico, quando indicado, pode ser realizado por técnicas preservadoras da articulação ou pela substituição da articulação na chamada artroplastia total do quadril.

Como opções de cirurgia preservadora são descritas as técnicas de descompressão simples ou associada a enxertia óssea com o objetivo de estimular o tecido ósseo a regenerar-se.

TERAPIAS ALTERNATIVAS

Por ser uma doença progressiva,  em muitos casos incurável  podendo trazer sequelas definitivas para a articulação do quadril, é justificável a busca por parte dos pacientes  de terapias alternativas que ofereçam resultados melhores do que as opções hoje consagradas de tratamento.

Do mesmo modo, existe uma vasta quantidade de pesquisa científica sobre este assunto e muitos estudos tem sido publicados em busca de terapias regenerativas. Dentre elas está o uso de plasma rico em plaquetas, proteínas morfogenética óssea, etc para o tratamento da ONCF.

Frente a isso, é fundamental que os pacientes entendam o que é tratamento consagrado pela medicina e o que é estudo experimental (experiência científica).

Especificamente sobre a aplicação de plasma rico em plaquetas, tanto a  ANVISA – Agencia Nacional de Vigilância Sanitária -  conforme versa a  Nota Técnica n.º 012/2015 GSTCO/GGPBS/SUMED/ANVISA de janeiro de 2015 e o CFM -  Conselho Federal de Medicina - conforme a RESOLUÇÃO CFM nº 2.128/2015 de 17 de julho de 2015 consideram-na como terapia experimental e sendo assim, seu uso fora de protocolos de pesquisa científica está atualmente proibido.